Já eram mais de onze horas e corríamos para ir a casa de
Betão, já tínhamos ido em sete casas e ainda existiam algumas cestas para
entregar. Em um caminho que mistura poeira e esgoto aberto, um homem de aparência
nordestina, bem magro e da pela envelhecida pelo sol nos para, pois vê a cesta
de alimentos em nossas mãos, e pergunta: “Vocês mexem com...”. Ele não sabia se
expressar, então o completei: “Fazemos ação social”. Ele disse que veio a pouco
tempo para Brasília e tinham acabado de roubar todos os seus documentos e seus
duzentos e poucos reais. Agora ele não tinha o que comer e nem como pagar o
aluguel que já estava atrasado a ponto de ser despejado. Ele disse que
precisaria de um emprego.
Não acreditamos muito na história dele, preferimos ir ver
pessoalmente se era verdade o foi dito. Fizemos a visita na casa de Betão e
seguimos até onde ele morava. Era uma casa pequena de dois cômodos, e a sua
esposa estava na porta, ela estava agoniado, pois naquele momento um rapaz
tinha sido assaltado e levou dois tiros, o ocorrido foi na sua rua, e por isso
estava apreensiva pela saída do marido.
Em sua casa, tinham três belas crianças que brincavam alegremente
no quintal, entramos e ele contou a sua história, disse que não tinha nada para
comer já algum tempo, o que conseguiu no dia anterior foi um punhado de arroz e
fubá, deu prioridade à família e ele se alimentou com um suco de abacate, mais
de um dia sustentado somente com isso. Não tinham mais nada pra comer e nenhuma
possibilidade emprego. Ele disse que todos os dias oravam e choravam ao ouvir
um louvor de um CD que a esposa tinha. Então falei: “Coloca esse louvor pra a
gente chorar um pouco também”. Então Jesus entrou naquela casa e ninguém
conseguia parar mais de chorar. A palavra de Deus se fez presente: “Chorem com
os que choram”.
Entregamos uma bela cesta de alimentos e o irmão Cássio
pegou os dados dele, pois tem uma vaga de emprego para aquele homem.
Assim Deus fez um milagre naquela casa.

